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30.10.08

Encontro LES dia 25 de Outubro 2008 – apontamentos breves

(convidamos-te a comentares e a acrescentares as tuas opiniões)

Tema: Direitos LGBT - das representações à realidade

Número de participantes: 14 mulheres

Após uma breve apresentação de cada participante, foi feita a apresentação e introdução ao tema.

De seguida, foi lançada uma proposta de trabalho em pequenos grupos - realização de cartaz com o registo da percepção que têm dos direitos LGBT a dois níveis:
• legal (identificação dos direitos que temos na lei);
• social (esses direitos estão reflectidos no social, na vida real / existe reconhecimento da igualdade nas várias áreas da vida?).

Após um momento de animada discussão em cada um dos grupos, foram apresentadas as conclusões.

O primeiro grupo apresentou o seguinte cartaz:

Optou pela organização em 3 áreas: direitos não adquiridos / direitos adquiridos não aplicados / direitos adquiridos.
Foi feita uma reflexão relacionada com o direito à privacidade e à não exposição pública da orientação sexual da pessoa. A visibilidade deve ser uma opção e não imposta ou divulgada por outros. Uma das situações que suscitou esta reflexão foi o registo das uniões de facto. Foi referido o exemplo da falta de formação dos/as funcionários/as de várias entidades públicas no que se refere ao direito à privacidade dos/as utentes, sendo, por vezes, assuntos privados discutidos em alta voz dentro das repartições. Outra situação de exposição “obrigatória” é a denúncia de discriminação por orientação sexual no local de trabalho. Embora o código de trabalho actual obrigue que seja a entidade empregadora a provar que não actuou com base na orientação sexual do/a trabalhador/a e não este/a a ter de provar que foi discriminado/a, fazer a denúncia obriga a alguma exposição pública.

O segundo grupo não apresentou cartaz, tendo optado por partilhar as suas reflexões em diálogo com todas. Alguns dos pontos focados:
 A existência de discriminação na doação de sangue, nalguns locais de recolha. Na lei não há discriminação, mas no dia a dia os/as funcionários/as responsáveis pela recolha podem ter comportamentos discriminatórios, baseados nos seus próprios preconceitos e por não existir formação sobre este assunto.
 A confrontação com a não existência de direitos em várias áreas da vida só acontece a partir de determinada idade, como por exemplo quando surgem situações relacionadas com: casamento, adopção e procriação medicamente assistida. Até certo momento da vida pode-se viver com a falsa noção de que não existe discriminação.
 A nível social é mais fácil para as lésbicas do que para os gays, devido à nossa cultura ter uma atitude diferente perante os afectos das mulheres e os dos homens. Mas esta aparente facilidade oculta uma discriminação ainda mais acentuada, a negação da sexualidade das mulheres.
 Existe muita falta de informação sobre a forma de registo das uniões de facto.
 Os Bi e os Transexuais também se sentem discriminados dentro da “comunidade LGBT”.
 Para a conquista dos direitos é mais fácil se for aberto caminho por outras pessoas, por exemplo, no caso da adopção se uma mulher solteira quiser adoptar (caso da Margarida Martins da Abraço) e lutar por esse direito, depois será mais fácil uma mulher assumidamente lésbica conseguir o mesmo direito; é uma forma gradual de conquistar os direitos. (embora a lei permita a adopção de pessoas singulares existe a percepção de que há alguma resistência nestas situações por parte dos serviços de segurança social)
 Muitas lésbicas dizem que nunca se sentiram discriminadas, porque utilizam algumas estratégias de “camuflagem”, sem nunca adoptarem uma postura de visibilidade em situações potencialmente adversas.
 Estamos todas aqui porque de alguma forma sentimos que existe discriminação, mesmo que nunca a tenhamos sentido de forma directa.
 É importante existir mudança na lei, mas não deve ser a única luta. A luta deve ser no plano social e até individual. A comunidade LGBT precisa mostrar-se mais à sociedade, o estar virada para si própria pode ser uma má estratégia.
 A educação é uma das formas mais importantes de intervir.

Depois da discussão das apresentações dos grupos, foi feita uma breve apresentação dos dados da situação portuguesa (documento em anexo)

No final do encontro foi feita a discussão e reflexão sobre as representações e a realidade dos direitos LGBT.
As propostas de discussão:
 O que falta (na lei e na sociedade)? Existem direitos prioritários? Quais?
 De que direitos sentem falta?
 Em que é que se sentem discriminad@s?
 Como promover a mudança na legislação? E na sociedade? Com que meios e que intervenções?

Alguns registos … a serem completados pelos vossos comentários:
 As pessoas LGBT têm uma característica em comum, mas têm muitas outras que os diferenciam, daí as prioridades a nível de conquistas de direitos serem diferentes (exemplo: casamento civil).
 O direito ao casamento pode abrir portas para outros direitos. Mesmo que poucos/as homossexuais venham a utilizar este direito devido à visibilidade, pode contribuir para a mudança de mentalidades na sociedade.
 O maior problema é a comunidade LGBT ser quase totalmente invisível, isto é, a grande maioria dos que convivem com pessoas LGBT, como a família, amigos/as e colegas de trabalho, nem sequer sabem da sua orientação sexual. É um pouco o “faz de conta”, o “não perguntes que eu não digo”.
 Pouca comunicação entre o movimento associativo e a comunidade LGBT.
 Existe uma comunidade LGBT? O que é? O que é que a caracteriza? Os direitos conquistam-se seguindo o que a maioria quer? Como saber o que a maioria quer?
 Devemos seguir a maioria dentro de uma minoria, que luta pelo direito das minorias … alguma confusão de conceitos e estratégias.
 Temos de trabalhar para mudar as mentalidades da sociedade mas também das pessoas LGBT.
 A primeira prioridade devia ser a lei de identidade de género. Em relação à orientação sexual já existe alguma protecção legal, mas em relação aos transexuais não existe nada.
 Muitas pessoas sentem o “seu mundo” ameaçado se os/as LGBT forem conquistando mais visibilidade e direitos. É uma mudança nas normas explícitas e implícitas de organização social. E esta sensação de ameaça é uma das maiores fontes de resistência à mudança.

22.5.08

Registos do encontro sobre "Identidade Sexual"

No início da sessão a dinamizadora, Gabriela Moita, lançou a questão para discussão: que expectativas é que cada um tem relativamente ao tema “Identidade sexual”?
Várias ideias foram surgindo:
· sexo biológico
· modelo social e papéis sociais
· identidade de género
· orientação sexual
· posicionamento num contínuo Feminino – Masculino

As várias ideias foram discutidas, sendo salientados os pontos em comum entre as várias perspectivas apresentadas.
Após este debate inicial foi feita uma proposta de actividade: cada participante foi convidada/o a escrever num papel o B.I. da sua identidade sexual.
Quando todas/os as/os participantes terminaram a tarefa, foram aleatoriamente organizados pequenos grupos. Cada grupo foi para um espaço separado com o objectivo de discutir as várias ideias, tentar identificar linhas comuns a nível conceptual e construir um pequeno sketch para exemplificar as suas conclusões.

Em grande grupo foram apresentados os vários sketches:
· 1º grupo: cada elemento tinha um material diferente (papel, pedaços de gesso, caixa de cartão, canetas, casaco) e, em simultâneo, iam transformando esses materiais, num processo de construção e desconstrução. Explicação do sketch - representação de alguns conceitos relacionados com a identidade sexual: diversidade e processo de construção/transformação ao longo da vida;
· 2º grupo: os elementos do grupo colocaram-se em círculo com as mãos estendidas para o centro, em silêncio. Explicação do sketch – liberdade de construção individual da identidade sexual; composição da identidade sexual por vários elementos diferentes; definição pela própria pessoa com aceitação de outras realidades;
· 3º grupo: entraram na sala agachados, uns mais que outros, numa ordem ascendente. Cada elemento do grupo segurava uma folha com uma “etiqueta”.(do mais baixo para o mais alto) As etiquetas, do elemento mais agachado ao elemento que estava de pé, eram as seguintes: sexo biológico papéis sociais orientação sexual Pessoa. Explicação do sketch – várias fases (componentes) da definição da identidade sexual;
· 4º grupo: O grupo apresentou oralmente a estátua de David, da autoria de Donatello, salientando o seu aspecto indefinido do ponto de vista sexual, nomeadamente as características biológicas masculinas e alguma aparência feminina, incluindo o cabelo comprido e encaracolado. Esta estátua tem levantado muitas interrogações, mas só a estátua (própria pessoa) se poderia definir, embora desperte discordâncias entre os outros.

Após a realização dos sketches foram apresentados pela dinamizadora Gabriela Moita, as componentes da identidade sexual, segundo Shivley & Dececco: sexo biológico (genótipo e fenótipo), identidade de género, orientação sexual, papéis sexuais. Foram acrescentadas pela dinamizadora as seguintes dimensões: preferências sexuais e parentalidade (capacidade reprodutora). Em função destas componentes cada pessoa foi convidada a reescrever o seu B.I. de identidade sexual. Houve, então, um momento em que os/as participantes que assim o desejaram partilharam com o grupo o bilhete de identidade que tinham construído.
De seguida, foram apresentadas por Gabriela Moita os B. I. de identidade sexual de duas personagens que ilustravam algumas combinações, pouco conhecidas, das diferentes componentes da identidade sexual.

Desenvolveu-se uma discussão alargada sobre as várias questões levantadas pelas características de cada personagem. Esta discussão incluiu a análise de algumas das dimensões da teoria Queer http://en.wikipedia.org/wiki/Queer.

No final da sessão, Gabriela Moita pediu a cada participante que dissesse uma palavra que representasse o que sentia naquele momento. De entre as diferentes expressões apresentadas pelas/os participantes, registaram-se as seguintes: mais esclarecida; arejamento; diversidade; interrogação; gosto de brincar com a palavra "queer"; necessidade de inclusão de conceitos; mais confuso - rara oportunidade de discussão; estar de fora; pensativa; em reflexão sobre os conceitos; interessante; cansada; inquieta; informativo e subjectivo; flexibilidade; reflexão/diversidade/confusão.

Deixamos a proposta de continuar o debate neste blog …

Referências:
Shively, M. G., & DeCecco. J. P. (1977). Components of Sexual Identity. Journal of Homosexuality, 3 (1), 41--48
Shively, M. G., & DeCecco. J. P. (1985). Origins of Sexuality and Homosexuality. New York : Haworth Press. (http://books.google.pt/books?id=Sra4SlUBIGgC&hl=en)
Shively, M. G., & DeCecco. J. P. (1993). Components of Sexual Identity. In L. D. Garnets, & D. C. Kim-mel (Eds.), Psychological perspectives on lesbian and gay male experiences (pp. 80-88). Chichester, NY: Columbia University Press.

1.5.08

Encontro - dia 17 de Maio de 2008

LES - Grupo de discussão de questões lésbicas

Próxima actividade:

Encontro - dia 17 de Maio de 2008 - 15h00
Tema: Identidade Sexual
Dinamizado por Gabriela Moita

Local: Porto (morada a divulgar em breve)

Nota importante:
Por limitação de espaço é necessária inscrição prévia.
As inscrições serão feitas por ordem de chegada.
Envie mail para epcferreira@gmail.com para fazer a sua inscrição.

As inscrições estão encerradas (informação actualizada a 13 de Maio)

13.4.08

Encontro Visibilidade lésbica - registos e propostas de reflexão

Encontro dia 12 de Abril 2008
Tema: Visibilidade lésbica - (in)visibilidades e discriminações nas diferentes áreas da vida

Número de participantes: 21 pessoas (20 mulheres e 1 homem) e 3 orientadoras
Características do grupo: grupo muito heterogéneo, com idades compreendidas entre os 22 e os 47 anos.

Apresentação individual:
Cada pessoa escolheu uma frase com que se identificava. (ver: frases para apresentação individual). A apresentação individual foi feita com referência à frase escolhida e às razões pessoais da escolha.
De registar que das frases escolhidas, 13 tinham um conteúdo que valorizava uma postura de visibilidade da orientação sexual na sociedade, e 8 reflectiam posturas de invisibilidade e as dificuldades de ordem social relacionadas com a orientação sexual homossexual.

Passagem de extractos da série L Word:
Extractos apresentados

  • 8º episódio da 1ª série (00:00 a 01:59 12:00 a 14:00 24:00 a 29:00 30:30 a 32:00) – relativos ao coming out da Danna (tenista)

  • 5º episódio da 1ª série (29:10 a 33:30) – relata o momento em que o casal Bette e Tina comunicam ao pai de Bette que vão ter um filho

Foi feito um pequeno debate com o objectivo de se identificar as principais dificuldades/limitações relacionadas com a visibilidade.
O debate foi mais centrado nas dificuldades/limitações relacionadas com a visibilidade na família, uma vez que os extractos passados focavam essa temática. De qualquer forma, é de registar que a visibilidade na família foi um dos aspectos mais referidos durante a apresentação individual, tendo sido perspectivadas as vantagens e compensações dessa visibilidade quer as desvantagens e problemas que podem resultar da mesma.
Alguns dos aspectos salientados:

  • A importância da reacção das outras pessoas quando se faz pela primeira vez o coming out

  • A influência do meio/contexto familiar e respectivos valores

  • A necessidade de lidar com as expectativas dos familiares (principalmente das figuras parentais) e a consequente desilusão

  • O medo de magoar ou desiludir a família

  • O não se cumprir com o papel social esperado para o género a que se pertence

  • A existência de maior visibilidade e de mais informação disponível sobre homossexualidade, nos meios de comunicação social e na internet, e as suas consequências, nomeadamente o facilitar o assumir dos mais novos, tendo sido reportado que tal acontece cada vez mais cedo

  • A necessidade de um novo coming out , numa sucessão contínua e difícil, cada vez que se tem de tornar visível a orientação sexual

Actividade de grupo:
Dividiram-se as pessoas em dois grupos.
A cada um dos grupos foi atribuída uma posição que teve de ser defendida por todos os seus elementos.

Posição A – Ninguém tem que saber a minha orientação sexual. Ninguém tem que saber com quem tenho, ou desejo ter, uma relação. A orientação sexual faz parte da minha vida privada e só a quero revelar a alguns dos que me estão muito próximos. Assim evito muitos problemas e vivo a minha vida da forma que quero.

Posição B – A minha orientação sexual deve ser algo que é público. Tal como acontece com a heterossexualidade, deve ser naturalmente do conhecimento da família, dos amigos, das diversas pessoas no trabalho. Só assim viverei a minha vida de forma completa. Sem me esconder. Com aqueles que gosto e quero nos momentos e espaços do dia-a-dia.

Foram sendo apresentados argumentos por vários elementos de cada grupo, que tentaram defender a sua posição. O debate foi animado e com algum sentido de humor :-)
No final, foi feita uma discussão geral em que se reflectiu sobre as dificuldades de defender as respectivas posições, quando não eram coincidentes com as posições pessoais.

Como actividade final do encontro, identificaram-se dois lados opostos da sala com as posições A e B e pediu-se às pessoas que se colocassem no local com que se sentiam identificadas. As pessoas distribuíram-se entre o centro da sala e o lado da posição B. Este posicionamento demonstrou uma prevalência da posição que assume a visibilidade da orientação sexual como algo importante, necessário e positivo.
No entanto, é importante referir que durante o diálogo estabelecido ao longo do encontro foi evidente que, embora as pessoas considerem esta posição como a mais desejável, um número significativo não a consegue colocar em prática no seu dia-a-dia.

Posição em termos de visibilidade:
Durante o encontro foi pedido às pessoas para escreverem em folhas que circulavam as suas informações relativamente à idade, habilitações literárias, profissão. Foi também pedido que registassem a sua posição numa escala de visibilidade em vários contextos (amigos, trabalho, família).


Propostas para discussões futuras e comentários no blog:

  • Onde/Com quem é mais difícil assumir e ser visível: Amigos, família, trabalho?
  • Sempre se sentiram na vossa actual posição em relação à necessidade de visibilidade da orientação sexual homossexual, ou tem havido variações?
  • Quais os factores que influenciaram estas variações?


6.4.08

Encontro

Encontro - dia 12 de Abril de 2008 - 15h00

Tema: Visibilidade lésbica - (in)visibilidades e discriminações nas diferentes áreas da vida

Local: Rua do Paraíso, 250 - Porto - instalações gentilmente cedidas pela UMAR (clicar para ver mapa)

(a estação de metro Faria de Guimarães fica muito perto do local do encontro)


Não é necessária inscrição prévia.

6.2.07

Encontro Nacional sobre o tema: “Despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez”

O Clube Safo organizou, dia 27 de Janeiro no Porto, um Encontro Nacional sobre o tema: “Despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez”.
Este tema foi escolhido por considerarmos que é fundamental a nossa participação nas questões marcantes da nossa sociedade. Entendemos que a luta pela defesa dos direitos das lésbicas não é uma luta isolada, por isso defendemos a transversalidade na intervenção social e política: quanto mais direitos e liberdades forem conquistados numa determinada área, mais direitos e liberdades são conquistados para tod@s.

Foi feita uma reflexão e discussão, com base no “Estudo-Base sobre as Práticas do Aborto em Portugal”, realizado pela Associação para o Planeamento da Família, e destacaram-se as seguintes questões:

Contracepção: foi considerado muito preocupante que uma grande percentagem de mulheres que realizaram um aborto não estivessem a usar qualquer método contraceptivo, e que uma considerável percentagem de mulheres estivessem a utilizar técnicas que não podem ser considerados métodos contraceptivos (“fazer contas”).
Foi, assim, realçada a necessidade urgente de investir na educação sexual. A informação sobre os métodos contraceptivos, sobre a forma de os utilizar e sobre como os adquirir, deve chegar a todos e a todas, quer através da escola, quer através do médico/a de família. Foi ainda considerado fundamental garantir a confidencialidade quando assim for desejado por cada pessoa.
No entanto, foi enfatizado que os métodos contraceptivos podem falhar e que as mulheres poderão engravidar, mesmo que utilizem correctamente a contracepção. A probabilidade de tal acontecer é, porém, baixa.

Aconselhamento sobre contracepção após o aborto: foi considerado grave o facto da grande maioria das mulheres não ter sido aconselhada sobre contracepção depois do aborto. Foi realçada a importância deste aconselhamento acontecer para que sejam evitadas futuras gravidezes não desejadas, tendo sido dito que o facto da interrupção voluntária da gravidez acontecer num estabelecimento de saúde autorizado poderá garantir esta questão fundamental.

Complicações de saúde após o aborto: uma questão que mereceu preocupação e reflexão é a da necessidade que muitas mulheres tiveram de recorrer a um serviço de saúde para completar o aborto depois de ter utilizado o método dos “comprimidos”. Mais de metade das mulheres que utilizaram comprimidos para interromper voluntariamente a gravidez, não os tiveram por recomendação médica, tendo sido arranjados por uma pessoa amiga.
A inseguranças na prática do aborto em Portugal poderá ser reduzida com a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez até às 10 semanas, após o referendo.

Decisões difíceis: foi reconhecido como expectável que a decisão de interromper voluntariamente a gravidez tenha sido considerado difícil, muito difícil ou muitíssimo difícil pela grande maioria das mulheres. Considerou-se uma excepção que as mulheres pudessem não considerar difícil recorrer à IVG.


Foi a primeira vez que organizámos um encontro sobre um tema não especificamente relacionado com a defesa dos direitos das lésbicas. Pela primeira vez, também, tivemos um encontro com tão poucas mulheres.
Perante este facto, sentimos a necessidade de nos questionarmos sobre as possíveis causas da fraca adesão das mulheres, que habitualmente participam nas actividades do Clube Safo.

O debate com as mulheres presentes no encontro, levantou algumas questões:

□ Existirem muitas iniciativas sobre este tema, na mesma altura e promovidas por diversas associações.

□ O tema não ser muito significativo para a vida privada das lésbicas e existir falta de solidariedade para com @s heterossexuais.

□ Algumas lésbicas e homossexuais têm tendência a ser menos participativos nas questões fracturantes da sociedade, assumindo uma atitude de “adaptação” passiva às normas sociais numa tentativa de se protegerem da rejeição social.

□ Outros temas relacionadas com a cidadania, mas não especificamente relacionados com as lésbicas, poderiam ter mais adesão?

□ As pessoas que são discriminadas são mais solidárias com outras discriminações diferentes? Ou antes pelo contrário ficam mais centradas nos seus problemas?

□ As mulheres não vieram ao encontro, mas irão votar no dia do referendo?


Não foram encontradas nenhumas respostas conclusivas. Mas ficaram no ar algumas interrogações e dúvidas que nos poderão levar a futuros debates sobre o envolvimento e participação das lésbicas nas acções de defesa de direitos não especificamente relacionados com a discriminação com base na orientação sexual. Será certamente um tema interessante para aprofundarmos.

E como mensagem final queremos deixar o apelo - no dia 11 de Fevereiro vão votar!

12.11.06

Sessão sobre:
"Comportamentos sexuais entre mulheres: práticas de sexo seguro"


Dia 9 de Dezembro 2006 - 15h00

Rua Formosa, nº 433, 3º andar - Porto
gentilmente cedida pela Umar
(próximo da Av. dos Aliados)
Não é necessária inscrição prévia

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Este texto apresenta algumas conclusões da sessão “Comportamentos sexuais entre mulheres: representações, práticas e fantasias” realizado em Julho no Porto, com a colaboração das Panteras Rosa.

A sessão teve como objectivos: identificar as práticas sexuais entre mulheres e a percepção da sua frequência; avaliar o grau e os factores de risco associados, nomeadamente no que se refere à transmissão de infecções sexualmente transmissíveis (IST's); identificar possíveis formas de protecção para as diferentes práticas.

Para melhor enquadrarmos as conclusões desta sessão, apresentamos também informação recolhida de alguns sítios na internet sobre sexo seguro entre mulheres. É de salientar que, na pesquisa que realizámos, não encontrámos nenhuma fonte de informação em Portugal que apresentasse de forma clara dados relativos a práticas sexuais entre mulheres, riscos associados e formas de protecção.

Relativamente aos resultados da sessão podemos agrupá-los no seguinte quadro:



Comportamentos não mencionados no encontro mas que são referidos nas fontes de informação pesquisadas:



Podemos concluir que as mulheres presentes no encontro têm uma percepção adequada sobre os riscos associados aos comportamentos sexuais e sobre quais as formas de protecção que podem ser utilizadas. O que parece apresentar mais dificuldades é a passagem à prática, isto é, a efectiva utilização dos métodos de protecção. Razões subjacentes serão certamente: a não divulgação (não existem campanhas que sensibilizem para a utilização de luvas ou barreiras de látex em comportamentos sexuais, como por exemplo as que já existem há muito tempo em relação ao preservativo masculino), bem como a não comercialização dos referidos métodos de protecção (todo o material sugerido ou é material originalmente produzido para outros fins ou não está comercializado em Portugal).


Algumas informações sobre material disponível e sua utilização (ilustrações - www.umoutroolhar.com.br/cartilha.htm):

Barreira de látex
Em Portugal não é comercializada a barreira de látex (dental dam) que consiste num quadrado de látex reutilizável após lavagem com sabão neutro. No entanto, podemos construir um a partir de uma luva de látex, conforme figura acima. Também é possível utilizar uma barreira feita a partir de um preservativo (e como alguns preservativos já são feitos a pensar no sexo oral, o seu sabor será certamente mais agradável do que o das luvas de látex).
Na prática do tribadismo vaginal aconselha-se a utilização de algum tipo de cinto para fixar a barreira de látex.
Alguns materiais educativos recomendam o uso de película aderente. Embora possa ser utilizado na ausência das barreiras descritas acima, o certo é que este produto obedece a critérios de qualidade para preservação de alimentos e não para prevenção de IST.



Luvas
Para penetração vaginal ou anal. Nunca utilize a mesma luva na zona vaginal depois de ter tocado na zona anal, ou em duas pessoas diferentes (por exemplo tocar-se depois de ter tocado a parceira). A utilização de lubrificante pode facilitar a utilização deste material tornando-o mais agradável ao toque. É referido que se pode utilizar lubrificante também no interior da luva para dar uma sessão mais agradável à que está a utilizá-la. Se utilizar lubrificante certifique-se que é de base aquosa para não provocar irritações nem danificar o látex.



Preservativo: Nos instrumentos sexuais, como por exemplo vibradores ou dildos, utilize um preservativo para uma penetração segura e higiénica. Antes de partilhar os instrumentos, troque de preservativo.



Fontes de informação:

Opening the Window
A Guide to Lesbian Health
Produzido por Lesbian Health Project, ACON (Aids Council of NSW)
Novembro 2003
www.acon.org.au

Cartilha Prazer sem Medo
Projecto Mulheres & Mulheres: Prazer sem Medo
Realização: Rede de Informação Um Outro Olhar - Brasil
Versão para Internet – Março de 2004
www.umoutroolhar.com.br/cartilha.htm


Girl to Girl
Welcome to the Digital Revolution
www.girl2girl.info

7.6.06

O Grupo Local de Intervenção do Porto do Clube Safo, vai organizar em conjunto com as Panteras Rosa, uma sessão sobre: "Comportamentos sexuais entre mulheres:representações, práticas e fantasias".

Este encontro tem como objectivos principais, identificar comportamentos sexuais entre mulheres, a sua frequência, grau de risco associado e formas de protecção.

Uma das actividades a realizar será a análise do folheto:
Lésbicas com muito prazer - Pequeno guia de sexo lésbico mais seguro
Alex, Faina, Louise: Lesbiennes pour de bon, 2002
Tradução Patrícia - Arranjo gráfico Vanda
Panteras Rosa - Frente de Combate à Homofobia
Este folheto está disponível online em: http://www.panterasrosa.com/sexolesbico.html


Sessão sobre "Comportamentos sexuais entre mulheres: representações, práticas e fantasias"
Dia 1 de Julho - Sábado - alteração da hora de início para as 13h30

Quem quiser poderá ver o jogo Portugal-Inglaterra, às 16h00, connosco!
Rua Formosa, nº 433, 3º andar - Porto
(próximo da Av. dos Aliados)
gentilmente cedida pela Umar



Infecções Sexualmente Transmissíveis e Comportamentos de Risco

As Infecções Sexualmente Transmissíveis, ou ISTs, transmitem-se de formas diversas. É sempre necessário considerar as formas de contacto entre fluidos corporais, ou seja sangue, esperma e secreções vaginais, saliva, lágrimas e suor.

Os contactos sangue – sangue, sangue – líquidos sexuais e líquidos sexuais – líquidos sexuais são os principais meios de infecção e, portanto, os comportamentos que impliquem estes contactos são comportamentos de grande risco para as ISTs, nomeadamente para a infecção pelo HIV.

O que é necessário pensar é como é que tais contactos são possíveis e como evitá-los. Claramente, os contactos entre órgãos genitais são de risco, bem como a partilha de brinquedos sexuais, ou, por exemplo, o contacto das mãos e dos dedos com os próprios líquidos sexuais e com os da parceira. A presença de menstruação, ou de quaisquer feridas, torna estes comportamentos ainda mais perigosos, pois para além de permitirem o contacto líquidos sexuais – líquidos sexuais permitem o contacto sangue – líquidos sexuais.

No caso do HIV, teoricamente, também é possível a infecção através de inseminação artificial (esperma do dador infectado). Um comportamento em que parece não haver acordo quanto ao nível de risco de infecção pelo HIV é o de lamber a zona genital feminina (sexo oral ou cunnilingus), nomeadamente a vagina. O que parece claro é que o risco aumenta quando há presença de menstruação, feridas na boca ou na zona genital, ou outras infecções vaginais.

O sexo oral é, de qualquer forma, um comportamento de risco porque permite o contágio de diversas ISTs.

Por outro lado, os contactos com o ânus podem conduzir a infecções diversas, quer devido a agentes infecciosos que existem nas fezes, quer porque as fezes podem conter sangue, mesmo que não visível.

O sexo seguro é o conjunto de comportamentos que não permitem a transmissão de ISTs.